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ACASO
Fui fruto de acaso, por acaso,
pois foi acaso ter sido concebida,
se fui causa e produto desse caso,
por que caso é que nunca fui ouvida?
Ao acaso vou seguindo pela vida,
mas com ela eu nunca bem me caso,
e pergunto: quando é concluida
esta causa, em que sou caso, por acaso...?
in Veredas da Alma"
MEU CORPO
Meu corpo, que tu desfrutas
e desejas saborear,
é suculento manjar de frutas,
uva madura, cor de luar...
Veludo doce em ternas grutas,
livres espaços a palpitar,
lençol de anil onde te escutas
junto à cadência do meu arfar...
È jóia rara que te enfeitiça,
tempo de espera que te atiça,
vénus sedenta a saciar.
Lago de amor tão ansiado
onde te deitas extasiado
e sabiamente vais navegar...
NATÁLIA PARELHO FERNANDES
"in Aragem Poética"
Pai... Natália Fernandes
PAI
"á memória de meu pai"
Pai, tu foste herói que lutou quase sozinho,
baluarte na minha madrugada,
um "elmo" aplanando meu caminho
um padrão que eu seguia confiada.
Pai, tu foste o "Almo Criador" deste meu "ser"
nesta passagem apenas transitória,
foste esse bem que a gente, por perder,
sente que não sai mais da memória.
Pai, sou a semente que de ti foi separada,
essa planta pequenina, quase ignorada,
embrenhada em castelos de emoções,
Tua figura altiva e já nevada,
é a imagem que por mim é mais lembrada,
entre ventos d`imensas solidões...!
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