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MULHER












Mulher é um alvo e puro lençol
que fala a linguagem dos anjos
em cujos olhos brilha a fantasia
com muitas fases como a lua
cheia e minguante
pequena e distante
mas em todas elas com algo encantador
que prende e contagia
com algo mágico e poderoso
que acalma e inebria
que seduz e não é luz
que aquece e não é sol
que ilumina sem sair do lugar
que acalenta sem darmos conta
que entontece e prende
e nos algema a alma
e nos toma por inteiro
E que faz o nosso coração bater feito um louco
e que faz o nosso amor parecer sempre pouco
e que faz o nosso olhar ver com desatino
as coisas mais insensatas que um olhar pode ver
e que um coração pode sentir

LEVA-ME AS ROSAS













Leva-me as rosas
mas deixa-me o seu perfume

Leva-me a luz do dia
mas deixa as tuas lembranças

leva-me o brilho que tive
mas deixa-me os olhos
para que de novo me possa embevecer
com mais rosas
com mais perfume
com mais saudade
com mais magia
com mais tu
com mais companhia
tão ausente como a tua
vagueando pela mente
enquanto eu me passeio tão longe de ti
enquanto eu fico pedindo à lua
que te traga pra junto de mim

GOSTO DE...














Gosto de pessoas que guardam a ternura nas mãos
e a simplicidade nos gestos
que não se envergonham de sorrir ou de chorar
que não têm medo de dizer o que sentem
mesmo sem saber se vão magoar
que não se calam, que não desistem
que sorriem perante as adversidades

Gosto de desafios, de vencer obstáculos
de gente afoita e destemida
de gente com um brilho de conquista nos olhos
Gosto de gente simples
mas com o coração cheio
que veste a alma com o melhor vestido que tem

Gosto de gente que investe na vida
e não tem medo do amor
venha ele de que forma vier
mesmo que vestido a rigor

gosto de pessoas que olha os escolhos
como diamantes em bruto
e não tem medo de os lapidar
nem que seja com as próprias lágrimas do rosto

Gosto de mãos afáveis e braços feitos galhos de árvores
que abrigam sem tolher e acarinham sem distorcer

Gosto que aprendam e que me ensinem
gosto de humildade e “mea culpas”
gosto de manhãs cheias de claridade e carpe diems
gosto de sentir um ligeiro rubor na face
quando a paixão bate de mansinho
e de um ligeiro pudor que só fica bem

Gosto de gente que venha por bem
gosto de viver a vida sorvendo-a
como se degusta um bom vinho

Enfim...gosto de vivê-la devagarinho
e não sorvê-la de um só trago

gosto da simplicidade que tenho
gosto da humildade que visto
gosto da vida que me ensina
um bocadinho todos os dias...

FICA













Fica...
embora eu não saiba porquê
embora eu não encontre um motivo
embora eu deteste ver-te chegar
sem nem saber ao que vens

Fica...
embora eu nem saiba porque te peço
ou porque te impeço
de correres atrás do que te faz feliz
Fica...
embora eu nem saiba se eu mesma fico...

EU NÃO SOU TU











Eu não sou tu
e tu não és eu
e é por isso mesmo que a gente não se entende
e cada um sente de forma diferente

E é por isso mesmo
que sempre haverá um poço cavado
nos nossos corações
que nos afasta e nos repele
enquanto a gente não souber abdicar de nós
para ver o outro feliz

Enquanto a gente não perceber
que amar só por amar
não chega
é preciso ganhar raiz
no coração do outro

EU CERRO OS OLHOS













Eu cerro os olhos e finjo não perceber
que hoje a lua veio me buscar
para me fazer entender
que eu não preciso ser espetacular

Basta fazer o melhor que sei
basta ser aquilo que sou

e quem não souber entender
a maravilha que é a gente errar e aprender
e ter de novo um sorriso
é porque nunca me mereceu
e não sabe aquilo que perdeu
e é porque na verdade nunca me amou

É POR TI















É para ti que escrevo
mesmo que não leias
É para ti que canto
mesmo que não ouças
É para ti que peço todos os dias
que a vida te bafeje
com a mais pura felicidade
mesmo que isso não me inclua

É para ti que olho
sempre que olho a noite
e vejo a lua
bordejada de estrelas

E é por ti que me revejo
em todas as palavras que ficam por dizer
todas aquelas que no silêncio
em que te digo adeus
ficaram mudas
silenciadas no peito

Mas não duvides...
é por ti que existo
e é também por ti
que todos os dias choro
na ausência das horas
que se arrastam dentro de mim
em todas as horas em que te procuro
e não consigo achar-te....

É POR TI













É para ti que escrevo
mesmo que não leias
É para ti que canto
mesmo que não ouças
É para ti que peço todos os dias
que a vida te bafeje
com a mais pura felicidade
mesmo que isso não me inclua

É para ti que olho
sempre que olho a noite
e vejo a lua
bordejada de estrelas

E é por ti que me revejo
em todas as palavras que ficam por dizer
todas aquelas que no silêncio
em que te digo adeus
ficaram mudas
silenciadas no peito

Mas não duvides...
é por ti que existo
e é também por ti
que todos os dias choro
na ausência das horas
que se arrastam dentro de mim
em todas as horas em que te procuro
e não consigo achar-te....

Mansa calma


E há uma mansa calma que me invade
um abraço invisível que me acalenta
um beijo morno que me afugenta
todos os fantasmas que de mim se querem apoderar

E há todo um mar
a quem me entrego
disposta a por ele me adentrar

E há todo um corpo que adormece
na esperança de te esquecer
porque vã é a palavra que se esquece
sem sequer ser pronunciada
a boca que se cala sem ter sido beijada
e vão é o sentimento que se amordaçou
sem se deixar respirar
e a flor que na nossa mão murchou
sem se ter deixado florir

É difícil conviver com o amor














É dificil conviver com o amor
mas é quase impossivel viver sem ele

É dificil resistir à saudade
mas não se consegue passar sem ela
Porque quem ama e perde
sempre vai sentir saudade
nem que seja das coisas bonitas
que ficaram

Só quem nunca amou não sente saudade
só quem nunca soube a que sabe um beijo
cheio de entrega e paixão
não deixa verter uma lágrima
quando pensa naquilo que teve
e por algum motivo perdeu

Só quem não sente um coração
a bater fora do peito
pode dizer que amor e saudade
são palavras banais e sem sentido algum

As notas da madrugada















As notas enfeitam a madrugada
que vem já nascendo
as lágrimas enfeitam a dor
que já vem doendo
o vento baloiça nas árvores
que vão já gemendo
o sol beija as flores
que vão já se abrindo
e eu toco este violino
que vai já cuspindo
toda a saudade que sente

e eu dedilho este violino
que vai já bramindo
num tom compassado
a solidão que se vai passeando
cá deste lado
os passos que vão seguindo
descontinuados
aos tropeções
as mágoas que vão se soltando
que nem balões
que se agitam no céu

As horas que vão morrendo no tempo
enquanto eu me vou acabando
e desfalecendo nesta melodia sem sentido

Apesar de tudo...


















Apesar de tudo
e de todos os contratempos
ainda acredito no amor
nos olhos que falam
a mesma linguagem muda e universal

nas mãos que se estendem e se alcançam
na alma que surdamente se escuta em fundo
num peito que insiste em bater desenfreado
nos instantes primeiros em que os olhos se tocam
e os corpos falam, ainda que não os ouçamos

Ainda acredito no amor
e em toda a magia que antecede
um primeiro olhar, um primeiro toque
É dessas primeiras impressões
a que se não dá valor
que pode nascer uma bonita história de amor
ou ficar uma verdadeira amizade
desses pequenos momentos feitos eternidade
em que as almas se conhecem
e se reconhecem como gêmeas....

Ainda que eu falasse...















Ainda que eu falasse
tu não me acreditarias
Ainda que eu chorasse
tu não me levarias a sério
E sempre irias me achar
aquela pessoa fútil e insensível
que não sabe o que diz

Ainda que eu te pedisse
tu não voltarias
apenas porque o teu orgulho não deixaria

Por isso eu não falo
não choro
não peço
não digo nada
mas fico pedindo baixinho
chorando baixinho
falando baixinho
para que engulas o teu orgulho
e voltes para mim

Eu continuo a vir à mesma praia
procurar os teus passos
tentar ver se encontro a tua voz
quem sabe numa onde mais afoita
que resolva vir beijar meus pés

Acho que não sou nada sem amor
e sem ti também não
e acho que se consegues ler tudo isto
sem sentires uma ponta de emoção
então não és quem eu julgava que fosses
e amar-te foi apenas mais um erro meu

São Reis

SABES?!


















Sabes a saudade que tenho de um abraço teu?
Daquele conforto em que me sinto segura
em que te olho e esqueço tudo
o que fica lá fora, a dor, a amargura
Sabes, mas sabes mesmo?
como um abraço teu agora mudaria tudo
com o meu sorriso sisudo
se mostraria radioso
e como os meus olhos sorririam com ele
como a alma se esqueceria
e o meu corpo se elevaria
de encontro ao teu abraço amoroso
que me receberia no meio do teu peito

Ah..meu anjo..como um abraço teu
mudaria tudo
e como um abraço que é apenas meu
deixa tudo no mesmo lugar...

As notas enfeitam a madrugada... São Reis














As notas enfeitam a madrugada
que vem já nascendo
as lágrimas enfeitam a dor
que já vem doendo
o vento baloiça nas árvores
que vão já gemendo
o sol beija as flores
que vão já se abrindo
e eu toco este violino
que vai já cuspindo
toda a saudade que sente

e eu dedilho este violino
que vai já bramindo
num tom compassado
a solidão que se vai passeando
cá deste lado
os passos que vão seguindo
descontinuados
aos tropeções
as mágoas que vão se soltando
que nem balões
que se agitam no céu

As horas que vão morrendo no tempo
enquanto eu me vou acabando
e desfalecendo nesta melodia sem sentido

Ah! Fernando... São Reis











Ah Fernando como eu queria cantar
assim à desgarrada
as palavras que me consomem
como eu gostaria de calar
a boca da madrugada
e deixá-la muda e calada
com todos os meus versos
todas as palavras que me gritam no peito
e para as quais não encontro rima

Ah Fernando como eu gostaria de ter
a tua sensibilidade
de ver pelos teus olhos
sentar-me numa esplanada
e ver as letras florearem
e fazerem amor com a caneta
como se fosse a coisa mais natural do mudo

Ah Fernando
como eu gostaria de me soltar
e deixar que as palavras morressem todas
na minha folha em branco
e que ninguém me julgasse
ou me achasse melhor ou pior que os demais

Ah Fernando tivesse eu metade
ou um terço que fosse das tuas palavras
a dançar-me nos dedos
e cantaria o amor de todas as formas
e a saudade ganharia um novo significado
e a lua e o mar seriam refúgio dos amantes
num mar nunca antes navegado
num desejo nunca antes soletrado ou sentido

Ah Fernando
tivesse eu as tuas palavras
e o amor morreria todo nas minhas mãos
em todas as palavras que eu conseguisse inventar
em todos os versos que não rimassem
em todos os corpos que se tivessem
e se gostassem

Ah Fernando soubesse eu falar de sentimentos
e não estaria aqui a tentar descrever-te
aquilo que não sei...

Apesar de tudo... São Reis











Apesar de tudo
e de todos os contratempos
ainda acredito no amor
nos olhos que falam
a mesma linguagem muda e universal

nas mãos que se estendem e se alcançam
na alma que surdamente se escuta em fundo
num peito que insiste em bater desenfreado
nos instantes primeiros em que os olhos se tocam
e os corpos falam, ainda que não os ouçamos

Ainda acredito no amor
e em toda a magia que antecede
um primeiro olhar, um primeiro toque
É dessas primeiras impressões
a que se não dá valor
que pode nascer uma bonita história de amor
ou ficar uma verdadeira amizade
desses pequenos momentos feitos eternidade
em que as almas se conhecem
e se reconhecem como gêmeas....

Alguém me explique... São Reis











Alguém me explique
como se guarda alguém na alma
quando os olhos se perdem dessa pessoa...

Como se faz para se manter aceso no coração
aquele calor que as mãos já perderam
e como se mantém acesa uma paixão
quando o corpo não chama mais por aquela pessoa

Alguém me explique como se reacende
um amor quase morto, quase extinto
como se sai de uma teia, um labirinto
em que a própria vida nos enfiou...

E, finalmente, alguém me explique
como se finge ter-se esquecido
quem na verdade sempre se amou.

Ainda que eu... São Reis











Ainda que eu falasse
tu não me acreditarias
Ainda que eu chorasse
tu não me levarias a sério
E sempre irias me achar
aquela pessoa fútil e insensível
que não sabe o que diz

Ainda que eu te pedisse
tu não voltarias
apenas porque o teu orgulho não deixaria

Por isso eu não falo
não choro
não peço
não digo nada
mas fico pedindo baixinho
chorando baixinho
falando baixinho
para que engulas o teu orgulho
e voltes para mim

Eu continuo a vir à mesma praia
procurar os teus passos
tentar ver se encontro a tua voz
quem sabe numa onde mais afoita
que resolva vir beijar meus pés

Acho que não sou nada sem amor
e sem ti também não
e acho que se consegues ler tudo isto
sem sentires uma ponta de emoção
então não és quem eu julgava que fosses
e amar-te foi apenas mais um erro meu

TU, EU E O AMOR... São Reis













É no calor da tua pele
que a minha se ilumina
é na maciez da tua boca
que a minha floresce

é na ternura dos teus olhos
que os meus ganham brilho
é na suavidade das tuas mãos
que as minhas se descobrem
é no calor do teu peito
que o meu regaço soçobra ao frémito
que me avassala

é na segurança dos teus braços
que os meus sossegam
e se ramificam por ti acima
é por entre as tuas pernas
que as minhas tremem e se agigantam

e é sem dúvida no resto do teu corpo que sobra
que eu encontro a razão porque afinal vivo:
para te amar e ser amada
ser feliz e te fazer feliz
e é apenas por isso
que os nossos corpos falam
enquanto as nossas almas
emudecem de pura contemplação

São Reis