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JAMAIS ESQUECEREI...















Já não vejo o teu rosto
tornou-se uma sombra perdida na bruma
já não lembro os teus olhos
tornaram-se baços
envoltos numa névoa inevitável
já não escuto a tua voz
já não choro
já não me minto
já não te sinto

mas jamais esquecerei as palavras
macias, sedosas,embriegantes
que tocaram
que acariciaram
cada poro do meu corpo
jamais esquecerei as palavras
ásperas, duras, frias
que magoaram
que feriram
TODAS permanecerão irremediavelmente indeléveis
para sempre

jamais te esquecerei.

DO AMOR












Beija-a docemente no pescoço, nos ombros.
Com a ponta dos dedos afasta delicadamente
as alças da camisa de noite,que desliza pelo
corpo (ainda) esguio, deixando-o integralmente nu.
Vestido de inúmeros sentires.
De imediato ela poisa os olhos no chão,
tímida na sua nudez.
Num gesto suave e terno ele levanta-lhe
o queixo e os olhos de ambos beijam-se longamente.
Toma-a nos braços e deita-a sobre o
lençol imaculado, que cobre a relva do jardim.
Entregam-se. Ela molhada de desejo,
ele sedento do momento mágico, sublime.
Amam-se lentamente, sob um céu negro,
iluminado pela luz que os seus corpos irradiam.

CANSAÇO II













Estou cansada de palavras embalsamadas
vazias
estéreis, sem nexo

cansei
de versos sedutores
ocos, inquietantes
de poemas desconexos
que saem das mãos

cansei
de paisagens inventadas
de cenários idílicos

estou cansada de poemas
a fêmeas frígidas
a mulheres frustradas
mal-amadas
deprimidas
pisadas

cansei
de orgasmos poéticos
de seios desmedidos
de desejos reprimidos
de solidões inventadas
de sonhos castrados

cante-se o Amor real
autêntico
sem idade
cantem-se as mulheres verdadeiras
que possuem
que se entregam inteiras
cante-se a imperfeição
e a perfeição

escreva-se com o coração.


Fátima Guimarães

NO MAR...














No mar encontro quietude
acho paz
esqueço finitude

no rugido das vagas
que furiosas varrem a praia
calo gritos
descubro silêncios

no murmúrio das ondas
que lambem a areia
adormeço raivas
rasgo angústias

no azul intenso
no verde escuro,denso
mergulho sonhos
afogo medos

na espuma branca
que acaricia meu corpo
acordo o amor
encontro-me
sinto-me
perco-me
neste mar
que é o meu a(mar).

DA SELVA...


Olhar felino, sedutor, penetrante
pelo sedoso, preto, brilhante
perscruta por entre o capim a presa

frágil, insegura, descuidadamente indefesa

Aproxima-se de forma calculada
e num salto magnifico e instantâneo
ataca-a com apetite voraz
( ou mero capricho momentâneo)

Crava-lhe as unhas no dorso
penetra-lhe a carne com os dentes
rasga-lhe a pele do ventre
dilacera-lhe o peito
sacia-se como lhe apraz

Larga-a quase exangue
afasta-se, triunfante e veloz
amanhã procurará nova presa
que o satisfaça
mais tenra, igualmente indefesa

A ela, valem-lhe as crias
que ao ver a mãe agonizante
lambem as feridas
deixadas pelo predador atroz.



Boletim Meteorológico... Fátima Guimarães


















Previsão para amanhã 6ª feira

Amanhã no teu corpo
o SOL
nascerá quando
os meus dedos beijarem
o teu pescoço
os meus lábios se colarem
aos teus

O vento soprará de moderado a forte
quando as tuas mãos percorrerem
as terras altas

Olhos límpidos, brilhantes, ardentes
apresentando períodos de neblusidade
durante a tarde
quando o meu corpo roçar
e se derramar no teu

Forte possibilidade de ocorrência de aguaceiros
durante a fusão dos corpos
entregues a ondas
de paixão

Subida da temperatura máxima

Alerta vermelho
na região sul

Previsão de um poente
apocalíptico!

DOR... Fátima Guimarães












É sentir teus braços distantes
é lembrar-te e não ver o teu olhar
é sentir tuas mãos ausentes
é não saborear teus lábios picantes
é temer perder os beijos
que nunca te dei
é sentir que me deixaste em suspenso
num vazio imenso
é não te trazer
dentro de mim
é não poder dedilhar
cada pormenor do teu corpo
marfim
é morrer um pedacinho
a cada segundo
que te penso em mim

Quero o toque dos teus dedos quentes
Quero as tuas mãos ausentes
Quero abraçar o momento
irrepetível
único
Quero matar a minha dor.

ENTARDECE... Fátima Guimarães










Entardece, meu amor

a pele macia começa a enrugar
mas não deixes de a tactear
não deixes de a abraçar
não deixes que o teu corpo
renuncie ao perfume do meu

Entardece, meu amor
mas continuo a ver o mar profundo
no teu olhar

e o sol poente, meu amor
não deixa nunca de encantar

Entardece, meu amor
mas é ao entardercer
que mais carecemos de amar.

(...)
inacabado

CHUVA... Fátima Guimarães










Enquanto a chuva fustiga as vidraças
os trovões ribombam
uma doce melodia
tocada a quatro mãos
numa ternura harmoniosa
aquece e enche o quarto
de luz e de paixão

as pernas enlaçam-se
os lábios húmidos unem-se
a leveza dos dedos arrepia
a pele

o rosto esconde-se por entre as coxas

em delícia

fecham-se os olhos
as mãos cravam-se no lençol
o cosmos acende-se

um suspiro
um gemido
...

e a chuva caindo lá fora
fustigando as vidraças

agora embaciadas.

A TI AMIGO...poeta/escritor... Fátima Guimarães













Nas tuas palavras encontro serenidade
busco refúgio nas noites silentes
preenchidas de passos ausentes
de sonhos agitados

Nas tuas palavras ousadas, lascivas
acordo a sensualidade
desperto a volúpia, os sentidos
sinto a pele quente o ardor

Nas tuas palavras invento sonhos
nas noites frias sem rosto
imagino carícias, beijos ansiados
a que me entrego com torpor e gosto

Nas tuas palavras descubro o amor
a esperança perdida
a ânsia louca de viver
a cor

A ti, amigo/a poeta , escritor
de palavras construtor
um grande e forte abraço
TU também és um trabalhador.

CONFISSÕES... do meu EU... Fátima Guimarães













Aqui estou eu
impulsiva
tempestiva
emotiva
intuitiva
objectiva
intempestiva

Sou do tipo
vulnerável
irritável
complexa
insatisfeita
mordaz

Sou
meiga
carinhosa
sagaz
amável
perdoo logo

Posso parecer
louca
desvairada
exagerada
frágil
esquisita

Também sou
forte
meiga
carinhosa
madura
humana
sagaz

Fascinam-me as mutações
a dualidade
as contradições
entrego-me às paixões
amo por inteiro
toda eu sou coração
muito mais que razão

Gosto do imperfeito
do inacabado
do exagerado
do ardente
da verdade

gosta?
ai que bom !
não gosta?
azar o seu
pois esta aqui
SOU EU !

DANÇA... Fátima Guimarães










O teu cabelo cinza prata
faz-me encandear

a tua voz rouca, quente
faz-me arder
renascer

o brilho do teu olhar
faz-me cegar

as tuas mãos
fazem-me querer
viver

o teu corpo maduro
faz-me sonhar
entregar
dançar

o meu
no
teu.

A FLOR... Fátima Guimarães










Nos lábios guardo teu sabor
nas mãos teu perfume
nos braços tua força
no corpo teu cheiro
e tua seiva
no coração guardo a flor
que colheste no nosso jardim
e poisaste de mansinho
bem cedinho
junto a mim
após mais uma noite ...
de amor!

Ausência... Fátima Guimarães











A tua ausência
dilacera-me o peito

lembro o teu olhar
a tua voz

vejo os teus braços
mas não os sinto

perdi-te
no meio do silêncio

já risquei
cortei
rasguei
a tua imagem

mas nada apaga
a minha dor.

SÓ... Fátima Guimarães













O seu quarto vazio
cheirava a solidão
sabia a ausência
chovia tristeza
ouvia-se silêncio

Na sua cama vazia
buscava uns braços
umas mãos
que não as suas

Só encontrava o lençol
frio
vazio
espectador
de um amor sofrido
de um amor aos pedaços
que um dia
tinha existido

Agora
eram só as suas mãos
que percorriam o seu corpo
que apertavam os seus seios
que afloravam o seu ventre
e se perdiam
dentro de si.

VEJO-TE ...MAS NÃO TE ENCONTRO... Fátima Guimarães











Queria
ter-te em meus braços
sentir teus lábios nos meus
Queria
a tua boca ávida, sedenta
no meu pescoço
Queria
tocar teus seios
com ternura
Queria
acariciar teu mar
e tu meu mastro
com delícia
Queria
sentar-te em meu colo
beber a saliva dos teus lábios
Queria
que ambos, mãos apertadas
nos perdessemos nesse mar

Queria
queria
pretérito do imperfeito
dum imperfeito
que apenas significa
suporia
que apenas
fantasio
que duvido
porque quimérico
e não
se realizará.

Fátima Guimarães
26-04-2012

38 ANOS... Fátima Guimarães













Tanto já se escreveu de ABRIL
dos cravos
dos sonhos
das promessas
da fartura
da oportunidade
da igualdade
da dignidade
da LIBERDADE!

E que vejo?
raiva
vergonha
desespero
cobiça
mediocridade
cinzentismo
depressão

Quando vejo partir
os jovens do meu país
lembro com saudade o Adriano
e o " Cantar de Emigração"

quando vejo as longas filas de desempregados
lembro o Zeca
" Os Vampiros"
e a corrupção

Que resta de ABRIL?

uma mão cheia de nada
outra cheia de cravos
e muita
desilusão

resta o sonho
restamos
nós
e as nossas mãos.

SÓ... Fátima Guimarães








fechou o livro
desligou o som
e deixou-se adormecer
numa cama vazia...
de afetos

RECEITA... Fátima Guimarães










Ingredientes:
- vogais
-consoantes
-uma pitada de acentos
-sinais de pontuação q.b.
-carinho
-dedicação

Escolhem-se cuidadosa e criteriosamente todos os ingredientes.
Limpam-se de impurezas.
Juntam-se carinhosamente formando frases (versos).
Misturam-se lentamente, envolvendo pouco a pouco com carinho e dedicação.
Adicionam-se ( opcional) uns desenhos.
Deixa-se a levedar.
Vai a imprimir.
Serve-se com uma capa/cobertura a condizer.
Polvilha-se com muita ternura.
Apresenta-se aos leitores.

Do Partir...



Quando ao olhar-te
deixar de te ver

quando ao ouvir-te
deixar de te escutar

quando lado a lado
deixar de te acompanhar

quando ao abraçar-te
não sentir calor

quando ao beijar-te
não me souberes a mel

quando ao dedilhares-me
não soar música

quando as flores do meu jardim
deixarem de florir

quando EU deixar de SORRIR

meu amor,
morri

ou...

deixei de te amar.